CTB celebra aniversário de Salvador, cobrando uma cidade menos desigual

Geral - CTB Regional Metropolitana - Postada 28 de Março de 2014

Com banda de música, bolo e um debate público, os trabalhadores anteciparam a festa de 465 anos de Salvador para esta sexta-feira (28/3). O aniversário da cidade é amanhã, 29 de março. O evento, organizado pela CTB Bahia, reuniu representantes de diversos sindicatos e entidades do movimento social na Praça da Piedade, no Centro, para debater os problemas enfrentados pela população e apontar os caminhos para mudar a situação.

 

A comemoração realizada pela CTB já é uma tradição para o povo de Salvador. Desde a sua fundação, há 6 anos, a Central sempre fez questão de celebrar a data com um bolo recheado de muito protesto. “Este ano, nós realizamos uma audiência em praça pública, onde pudemos discorrer sobre a história da cidade e seus problemas sociais, mas também apontamos os rumos para vencer o desafio do desenvolvimento sustentável. Mostramos também que os trabalhadores têm muito a contribuir com o este debate”, apontou Aurino Pedreira, presidente da CTB Bahia.

Pedreira ressaltou também, que a data é um excelente momento para discutir a falta de uma política de desenvolvimento econômico voltada para a geração de emprego e renda em Salvador. “Nós que conhecemos outras regiões metropolitanas, percebemos como estas regiões costumam gerar desenvolvimento para todo o estado. No entanto, em Salvador não observamos isto, pois não temos um parque industrial e sim, uma economia voltada para o comercio e os serviços. Isto não é bom para a população, pois a falta de emprego acentua a desigualdade”.

Cidade desigual

A desigualdade social foi o principal foco da intervenção do professor de história e secretário de Articulação Interinstitucional da Universidade Estadual da Bahia, Ricardo Moreno. Para ele, a cidade já nasceu desigual, com a vinda dos negros escravizados da África, e esta desigualdade se perpetuou ao longo do tempo, estando ainda visível mesmo mais de um século após a abolição formal da escravidão. “Continuamos vivendo em uma cidade que nega direitos básicos a grande parte da população em benefício de uns poucos. Isso porque muda a Lei, mas as práticas cotidianas não mudam. Por lei acabou a escravidão, mas a mentalidade de parte da população ainda não se transformou totalmente. É como se a escravidão ainda estivesse presente”, acrescentou o professor.

O debate contou também com exposições sobre a questão do transporte, mobilidade urbana, a geração de emprego, além da defesa dos direitos das mulheres e da juventude. Ao final do evento, os participantes cantaram parabéns para a cidade e pelo menos na festa da CTB, o bolo foi repartido igualmente para todos os presentes. 


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