Orlando Silva: A fotografia da maior ofensiva do capital contra o trabalho na história da República

Orlando Silva: A fotografia da maior ofensiva do capital contra o trabalho na história da República

Geral CTB Geral 22/06/2020 há 3 meses

O momento histórico no Brasil é uma fotografia da maior ofensiva do capital contra o trabalho na história da República, definiu o deputado federal Orlando Silva (PCdoB/SP) ao palestrar na manhã deste sábado (20) na 1ª Plenária Virtual da Classe Trabalhadora, realizada pela CTB. O parlamentar, que já foi presidente do Centro de Estudos Sindicais (CES) destacou que sempre teve uma profunda ligação com o movimento sindical, especialmente com a CTB, e defendeu que demandas da classe trabalhadora sejam transformadas na “agenda central dos partidos de esquerda”. A ofensiva do capital se traduz na destruição de direitos, flexibilização da legislação trabalhista, precarização das relações de produção, depreciação do valor da força de trabalho e, ainda, no desemprego e na subocupação em massa. Espaço no Congresso Nacional Notou que existe uma relação direta entre a redução da presença dos trabalhadores no Parlamento, registrada ao longo das últimas eleições, e a redução dos direitos sociais, o que evidencia a importância da atuação política das e líderes classistas. “Precisamos retomar o espaço no Congresso Nacional”. É histórica a dimensão da crise que vivemos hoje, observou o deputado. “Temos uma década de crise internacional, que começou em 2007-2008 e revelou a hipertrofia do sistema financeiro e a incapacidade do capitalismo dar um salto civilizatório”. O deputado comunista quer a classe trabalhadora no topo da agenda dos partidos de esquerda O cenário piorou com a pandemia do coronavírus e o momento, em sua opinião, coloca em primeiro plano duas variáveis centrais. A quarta revolução técnico-científica, que promove uma reestruturação produtiva e pode reconfigurar o sentido do trabalho; e a emergência de uma nova ordem mundial liderada pela China. Redução da jornada de trabalho Sob o capitalismo, o avanço tecnológico tende a criar imensas legiões de trabalhadores e trabalhadoras descartáveis, sublinhou. É hora da classe trabalhadora levantar com mais força a bandeira da Redução da Jornada de Trabalha para harmonizar o crescimento da produtividade do trabalho com o objetivo do pleno emprego. O deputado comunista atribuiu a ascensão da China à condição de maior economia do mundo à materialização de um projeto nacional de desenvolvimento soberano impulsionado pela revolução socialista e anti-imperialista de 1949. Ele manifestou a convicção de que a próspera potência asiática apresenta uma nova perspectiva, um outro horizonte, diferente das velhas e decadentes potências capitalistas do Ocidente. Cenários Na crise vê-se crescer a onda do capital para precarizar as relações de trabalho e destruir os sindicatos, empurrando a conta sempre pro lombo do trabalhador. Orlando Silva desenhou quatro cenários hipóteticos de desdobramento da conjuntura nacional frisando que é necessário “examinar todos e não descartar nenhum deles”. Pode haver um fechamento do regime político? É pouco provável, mas não se pode descartar esta possibilidade. Jair Bolsonaro atua para organizar uma guarda pretoriana e, diante do crescente isolamento político, pode encenar uma tentativa desesperada de golpe. Bolsonaro recuperar as condições para a governabilidade. Não é um cenário impossível, embora seja muito pouco provável. Impeachment. Será necessário mobilizar milhões de brasileiros e brasileiras e invadir as ruas quando passar a pandemia. Somente com a ação do povo lograremos alterar a correlação de forças, transformar em realidade a palavra-de-ordem Fora Bolsonaro e inaugurar uma nova conjuntura política favorável às forças democráticas e populares. A “sarneyzação” do governo Bolsonaro, que consistiria na continuidade do governo com o presidente numa posição meramente decorativa, sem poder efetivo, a exemplo do que se verificou com o ex-presidente José Sarney. Este seria o cenário mais provável: um governo bem mais fraco. Bolsonaro e os EUA Na opinião do parlamentar a eleição de Bolsonaro não pode ser compreendida apenas levando em conta fatores internos, como a intransigência das classes dominantes e os equívocos dos governos e partidos de centro-esquerda. “Na verdade, foi uma operação feita de fora pra dentro, a exemplo Lava Jato idem, comandada pela inteligência dos EUA, tanto que teve por resultado à reanexação do Brasil à ordem imperialista dos EUA. Foi uma ação da burguesia internacional”. A construção de uma frente ampla política e social é fundamental para enfrentar a crise política, mas segundo o deputado deve incorporar não só a defesa da democracia como também dos direitos sociais e da soberania, tendo por desafio um programa de reconstrução nacional. Cultura A plenária compreendeu um intervalo nos debates políticos para uma bela apresentação cultural da cantora Railídia Carvalho, que também é jornalista da CTB. Ela interpretou várias canções e concluiu sua apresentação com uma homenagem a Aldir Blanc, que morreu recentemente vítima da covid-19 e compôs em parceria com João Bosco “O bêbado e a equilibrista”. A música, cantada por Railídia, se transformou numa espécie de hino em defesa da democracia e contra o regime militar. Via;CTB- Nacional