Lideranças do mundo debatem questão racial na Assembleia dos Povos

Lideranças do mundo debatem questão racial na Assembleia dos Povos

Geral 17/06/2026 Escrito por:

Com tantos países e várias etnias participando, a questão racial também foi ponto de debate na Assembleia dos Povos do Mundo, realizada entre 16 e 17 de junho, no Hotel Wish Bahia, em Salvador. O painel "Geopolítica e a contemporaneidade da luta antirracista", contou com Bárbara Carine (escritora), Flávio Franco (SEPROMI), Marina Duarte (UNEGRO) e Nikita Anisomov (jornalista). 

A mesa foi mediada pela atriz, cantora, comunicóloga, ativista e pesquisadora afro-brasileira Ayana Amorim. "Compreender a formação histórica do racismo é fundamental para enfrentar as desigualdades existentes. É essencial ver o papel das políticas públicas, da educação, da cultura e dos movimentos sociais na construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e comprometida com a justiça racial", destacou.

Bárbara Carine refletiu sobre a formação da nação brasileira. "Prevaleceu a lógica da hierarquia racial, onde a desumanização dos africanos e seus descendentes foi o alicerce da formação das relações sociais e econômicas do nosso país, cujos efeitos permanecem presentes na sociedade brasileira", ponderou.

RENOVAR A LUTA

"Reafirmamos que o nosso território é lugar de produção de saber, ciência e estratégias políticas potentes. Discutir o futuro com mentes tão brilhantes é oxigenar a luta e renovar o compromisso com uma sociedade mais justa, sustentável e digna para o nosso povo. Salvador se consolidou nestes dias como o centro do pensamento crítico mundial", disse Marina Duarte, presidenta da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade).

Os palestrantes destacaram a importância da articulação entre os povos do Sul Global; do fortalecimento das redes de cooperação internacional no enfrentamento ao racismo e às desigualdades; da ampliação do diálogo entre governos, instituições e organizações da sociedade civil como estratégia para promover direitos, inclusão e desenvolvimento social.

As falas apontaram para colocar a luta antirracista no centro das discussões sobre democracia, direitos humanos e desenvolvimento, evidenciando que a construção de um futuro compartilhado passa, necessariamente, pelo enfrentamento das desigualdades raciais e pela valorização da diversidade dos povos latino-americanos.

Colaboração: Ayana Amorim