Para desmontar a falsa tese das elites e do patronato, de que reduzir a jornada de trabalho (acabando a escala 6x1) complica a produtividade nas empresas, o Dieese elaborou o estudo "Disputar a renda, reduzir a jornada - o trabalho no centro do desenvolvimento".
O trabalho foi apresentado nesta quarta-feira (13), pela economista e supervisora técnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias. No auditório do Sindae, no Barris, sindicalistas de várias categorias debateram dados importantes, como a presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza, e o secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade, Jerônimo Silva Junior.

Ana Georgina ressaltou que disputar renda é discutir salários e como o tempo de trabalho é organizado. "Quem produz a riqueza (os trabalhadores), quem se apropria dela (os patrões) e quem controla do tempo de trabalho (os patrões) são perguntas importantes. Da riqueza produzida em 2025, o Brasil enviou 44 bilhões de dólares em lucros e dividendos para o exterior", pontuou.
Segundo a economista, a riqueza depende da produtividade, que não está ligada apenas ao esforço individual do trabalhador. "Ela depende de tecnologia, investimento em infraestrutura, inovação, organização do trabalho, regulação e qualificação da força de trabalho. Produtividade não é trabalhar mais. É produzir e trabalhar melhor, com melhores condições. Por isso, a jornada de trabalho está no centro da disputa pela renda, pois influencia quanto da riqueza produzida retorna para os trabalhadores como salário, tempo livre e qualidade de vida", afirmou.
CTB
Rosa de Souza destacou a importância da assessoria do Dieese ao movimento sindical. "Ter essas informações ajudam na mesa de negociações e nos embates com setores empresariais sobre que sociedade queremos. A CTB defende o desenvolvimento econômico com valorização do trabalho. Hoje, essa valorização passa por reduzir a jornada sem reduzir salário", destacou.

Para Jerônimo, nessa luta pela redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1, o sindicalismo deve garantir o seu protagonismo. "Essa luta é histórica, gerando a data do 1º de Maio, em homenagem aos trabalhadores que morreram em 1886, por lutarem contra as 16 horas diárias de trabalho daquela época no Estados Unidos. Até o dia da votação do projeto, estaremos em luta", enfatizou.
