Escala 4x3 é aplicada por várias empresas em Portugal, mostra pesquisador

Escala 4x3 é aplicada por várias empresas em Portugal, mostra pesquisador
Professor Pedro Gomes. Foto: Instagram

Geral 07/05/2026 Escrito por:

Um estudo sobre a experiência de 41 empresas que reduziram a jornada de trabalho e aplicaram a escala 4x3 virou o livro Sexta-Feira é o Novo Sábado, do professor de economia da Universidade de Londres, o português Pedro Gomes. O especialista sustenta que a redução da jornada é viável e pode “salvar a economia”, sendo benéfica para o conjunto da economia e da sociedade.

O economista disse que o aumento da produtividade (quando a empresa consegue produzir mais com menos tempo de trabalho) pode compensar os custos da redução da jornada. “O que, historicamente acontece, em todas as reduções do tempo de trabalho, é que há um aumento da produtividade por hora. Existem melhoras, na forma como estamos a produzir, que compensam em grande medida, do ponto de vista das empresas, essa redução do tempo de trabalho”, explicou. 

VÃO MANTER ESCALA

Essas 41 empresas portuguesas somam mais de mil empregados, de diferentes setores e tamanhos. Dessas, 52% afirmam que vão manter a jornada reduzida; 23% dizem que vão manter, mas em uma escala menor; e apenas 19% disseram que vão retomar a jornada de 5x2.

Para mais de 90% das empresas, a mudança não teve custos financeiros, com 86% informando que aumentaram as receitas em relação ao ano anterior, sendo que 14% tiveram receitas menores. Cerca de 70% delas ainda concordam que melhoraram os processos da companhia após a mudança.

“A semana de trabalho de quatro dias proporciona benefícios operacionais às empresas, como melhor ambiente de trabalho, redução do absentismo [faltas] e aumento da atratividade no mercado de trabalho. No entanto, para ser bem-sucedida, a sua implementação requer uma reorganização profunda”, escreveu Gomes.

INDÚSTRIA DO LAZER

Segundo o professor, o tempo que o empregado ganha com a redução da jornada tem também um valor econômico que incentiva as indústrias do lazer, do entretenimento, e que tem um efeito positivo para o conjunto da economia. “Os trabalhadores também são consumidores. Eles também são inovadores, também são cidadãos, têm estudantes e, portanto, o que eles fazem no tempo livre tem um impacto econômico”, explicou.

No livro, o economista cita o exemplo de Henry Ford, nos Estados Unidos, que reduziu, em 1926, a jornada de trabalho na sua empresa para 40 horas semanais, consolidando o final de semana de dois dias. “70% das pessoas passaram a ir ao cinema. Isso fez consolidar Hollywood como uma das principais indústrias americanas. Foi muito positivo para empresas ligadas aos esportes, à música, aos livros, à cultura, aos hotéis”, disse.

Pedro Gomes cita o caso da China. "Em 1995, adotou o final de semana de dois dias para parte dos trabalhadores do país. Não foi para toda a gente, foi mais para uma classe média. Mas pouco depois, o mercado de turismo interno da China se tornou o maior do mundo porque eles tiveram tempo para viajar. E o Brasil tem um potencial enorme de turismo”, ponderou.

MENOS FALTAS E MELHOR PARA MULHERES

Outro efeito positivo da jornada menor, segundo o especialista, é a redução das faltas ao serviço e a menor rotatividade no emprego, o que aumenta a capacidade de conciliar trabalho com família, sendo especialmente benéfico para as mulheres. “A rotatividade de trabalhadores e altos níveis de absentismo (faltas) tem um custo enorme para as empresas. Com menos horas trabalhadas, eles vão faltar menos e vão querer sair menos do trabalho, reduzindo a rotatividade”, disse. 

COMÉRCIO AOS SÁBADOS

O pesquisador afirma que algumas das empresas que ele pesquisou não precisaram fechar o comércio no sábado, ou em outro dia, por causa da redução da jornada. Muitas adotaram escalas com menos trabalhadores nos dias de fluxo mais baixo. “Se vê que tem menos fluxo de clientes nas terças e quartas, então dá mais dias livres aos trabalhadores naqueles dias de menor movimento. Ficam menos trabalhadores na loja, mas a loja fica aberta.”

com informações da Agência Brasil