A subserviência da família Bolsonaro aos Estados Unidos conseguiu receber crítica até do jornal conservador Folha de São Paulo, que sempre apoiou candidaturas de direita no Brasil. O seu editorial deste sábado (4) afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adota postura golpista ao lançar dúvidas sobre a lisura das eleições brasileiras e sustenta que não existe a figura de um “bolsonarista moderado”.
O jornal faz a repreensão após Flávio Bolsonaro participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Segundo a Folha, o parlamentar, que se apresenta como pré-candidato à Presidência, voltou a questionar o resultado das eleições de 2022 e pediu que os EUA “monitorem a liberdade de expressão” no Brasil e “apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”.

Para o jornal, esse tipo de declaração reforça a estratégia de deslegitimação do processo eleitoral, repetindo argumentos já utilizados pelo bolsonarismo nos últimos anos. O editorial afirma ainda que a ideia de um “bolsonarismo moderado” é impossível e que não há coerência em associar o bolsonarismo, marcado por ataques às instituições democráticas e disseminação de desinformação, a qualquer noção de moderação.
DEVE SE EXPLICAR
De acordo com a Folha, Flávio Bolsonaro deveria abandonar “fantasmas” e esclarecer questões de seu passado, como o caso das “rachadinhas” e suas ligações com milicianos, além de apresentar propostas concretas para o país. Também menciona que ele precisa explicar declarações anteriores sobre a “possibilidade e de uso da força” caso o Supremo Tribunal Federal derrube um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao final, o jornal afirma que o candidato deve detalhar como pretende enfrentar desafios econômicos e diz que a insistência em questionar o sistema eleitoral empobrece o debate público e representa um risco à democracia brasileira. Para mostrar que ainda é a velha Folha de sempre, não falou de outro golpismo do senador: entregar os minerais críticos e as terras raras aos Estados Unidos.