Juventude pede passagem na Assembleia dos Povos do Mundo
Geral 16/06/2026 Escrito por:
Ainda no primeiro dia, a Assembleia dos Povos do Mundo teve a sessão estratégica "Geração de unidade: jovens líderes como arquitetos de soluções globais". O debate na Reitoria da UFBA foi conduzido por Henrique Domingues, secretário da Juventude Trabalhadora da CTB. O dirigente denunciou a precarização enfrentada pelos jovens no mercado de trabalho e apresentou iniciativas desenvolvidas pela central sindical para garantir melhores condições de inserção profissional.

Para Amanda Harumy, PhD em Relações Internacionais e conselheira consultiva da Washington Brazil Office, "é preciso ter capacidade de construir a cooperação internacional da juventude, uma agenda comum dos povos, tratando de cultura, trabalho, ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico".

Beatriz Souza, ativista do Centro de Juventude Odara e do movimento de mulheres negras, lembrou que Salvador é a cidade que mais mata jovens negros. "A cor está definindo as estatísticas das mortes no Brasil. É importante pensar políticas com cortes de gênero e idade. O governo Lula tem feito algo, mas ainda é muito pouco para reverter esse quadro que atinge mais jovens e a população negra", ponderou.

RESISTÊNCIA, DESCONSTRUÇÃO E SOCIALISMO
Membro da coordenação da ONG Orinãra, organização dedicada à justiça climática, conflitos socioterritoriais e defesa ambiental, Ísis Fernandes destacou a necessidade de mais cooperação internacional, criação de espaços para debater políticas para juventude no mundo. Precisamos organizar a resistência dos povos para salvar o clima, pensando no agora e nas futuras gerações", afirmou.

A jornalista e pesquisadora Danila de Jesus defendeu que as narrativas sobre a juventude precisam ser desconstruídas e ressignificadas. É preciso protagonismo e representatividade da juventude nos espaços de governança. A juventude negra no sul global deve ser trabalhada com interseccionalidade, especialmente com a questão climática, pelo futuro da humanidade. Herdamos exclusão, crise climática e violência. Temos desafios enormes para transformar a realidade", disse.

Dirigente da CTB Bahia, Déborah Irineu ressaltou que falar de juventude é tratar de infraestrutura, saúde, educação, segurança públicas e mundo do trabalho. "O Brasil cresce explorando cada vez mais a classe trabalhadora, especialmente na crise do capitalismo, que causa mais desigualdades. Jovens começam a trabalhar cedo para ajudar em casa e estão nos trabalhos mais precários. Temos que construir alternativas coletivas para a transformação social e ter um mundo mais justo, socialista", defendeu.
