Super Live da CTB define agenda para luta no Senado pelo fim da escala 6x1

Super Live da CTB define agenda para luta no Senado pelo fim da escala 6x1

Geral 01/06/2026 Escrito por:

Conduzida pelo secretário nacional de Imprensa e Comunicação, Douglas Melo, a Super Live da CTB (Lutar até o fim pelo fim da escala 6x1), realizada nesta segunda-feira (1/6), apontou os próximos passos do sindicalismo classista para a batalha final pelo fim da escala 6x1, no Senado. Entre as principais ações, segundo Melo, está a criação de uma nova campanha nacional da Central.

Para o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, vencemos o primeiro momento. "Agora, é preciso maior engajamento e mobilização do movimento sindical. São 4 propostas do Senado, inclusive de Rogério Marinho do PL, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, que propõe pagamento por hora e acordo direto entre patrão e empregado", alertou.

Segundo o dirigente, novas conversas acontecerão com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. "O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve receber as centrais. "Tem muita gente querendo se agarrar nas bandeiras históricas da esquerda e do sindicalismo brasileiro. Vamos mostrar as contradições da direita e desmascarar suas mentiras. Nunca foi fácil a nossa luta, mas já mostramos que somos capazes de vencer os desafios que surgem", frisou.

A presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza, ressaltou a vitória expressiva na Câmara e o teatro da direita ao falar em aprovar a escala 4x3. "Temos dois senadores a favor e um contra [Angelo Coronel, aliado de ACM Neto]. Essa luta é essencial contra o grande índice de adoecimento nas categorias (30% dos trabalhadores apresentam problemas na saúde mental). Foram mais 806 mil acidentes de trabalho em 2025, segundo o MTE", lembrou.

De acordo com a dirigente, é o povo na rua que muda uma realidade difícil "Desde o século 20, várias leis trabalhistas foram implementadas com muita luta dos sindicatos e suas categorias. As mulheres são as mais impactadas com a jornada atual, pois possuem dupla e até tripla jornada (trabalho, casa/família e estudo). E no outro dia, tem que voltar ao trabalho, que deve ser mais digno para todos e todas, com mais tempo livre", defendeu.

DADOS DO DIEESE

Para contribuir com as reflexões, a economista do Dieese, Adriana Marcolino, mostrou que é possível, do ponto de vista econômico, reduzir a jornada de trabalho no Brasil. "A direita e a grande mídia querem criar terrorismo em torno da medida, dizendo que o Brasil vai quebrar. O que vemos é o lucro crescer e a renda do trabalho cair ou crescer pouco, por conta das políticas do governo Lula", destacou. 

Adriana desmistificou as mentiras sobre produtividade. "No Brasil, em 10 anos, cresceu 12% e não está sendo dividida com a classe trabalhadora. Ela depende de um conjunto de fatores. A riqueza depende da produtividade, que não está ligada apenas ao esforço individual do trabalhador. Depende de tecnologia, investimento em infraestrutura, inovação, organização do trabalho, regulação e qualificação da força de trabalho. Produtividade não é trabalhar mais. É produzir e trabalhar melhor, com melhores condições", afirmou. 

Sobre a redução da jornada, a economista frisou que, ao reduzir 4 horas (de 44 para 40), criam-se novas turmas de trabalho. "É mais emprego e mais renda, mais consumo, menos acidentes e ausência no trabalho, mais saúde e mais qualidade de vida. Dois a cada três trabalhadores já estão na 5x2 e a economia não quebrou. O Rogério Marinho propõe contratação por hora. Já vimos isso no trabalho intermitente e tem gente recebendo 58% do valor do salário mínimo. É uma grande precarização do trabalho e empobrecimento da classe trabalhadora", pontuou.  

AGENDA DE LUTAS

O secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite disse que o momento é de definir a organização da nova batalha. "Já aconteceram duas reunião das centrais, que definiram um calendário de ações. Apesar de apenas 81 senadores, será uma luta complexa, precisando de 49 votos. Durante a semana, as centrais devem fazer debates nos estados e conversas com os senadores. No dia 8 de junho, tem super live das centrais sindicais, mais organizativa, com a participação do Diap, Dieese, e dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Otto Alencar (PSD e presidente da CCJ)", afirmou. A agenda mais detalhada será divulgada em breve. 

Segundo o presidente da CTB Rio Grande do Sul, Rodrigo Callais, a luta é por mais tempo livre. "Vamos ganhar para o debate a juventude e as mulheres, que são ainda mais impactados pelos efeitos da escala 6x1. Ganhamos o jogo no primeiro tempo. No Senado é o tempo final e temos que nos preparar mais ainda para garantir a vitória completa. As CTBs estaduais podem fazer muito (são três senadores por estado). Agora, é reunir o Fórum das Centrais para definir grandes ações nacionais", destacou. 

CTB PROTAGONISTA
 
Presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer apontou o grande desafio após a vitória na Câmara Federal. "Ganhamos a batalha inicial, mas a guerra continua. No Rio, começamos a pressão junto aos três senadores (todos do PL: Romário, Flávio Bolsonaro, Carlos Portinho). A PEC 7x0 da direita é para não garantir a vitória final do fim da escala 6x1. É importante lembrar que a CTB foi protagonista em todo o processo de mobilização. Precisamos usar todas as ferramentas de luta para aumentar a pressão junto aos senadores. Vamos pedir para as pessoas responderem a enquete do Senado sobre o projeto absurdo de Rogério Marinho [até hoje, tava 73 mil contra e 5 mil a favor]", enfatizou.

Gabriel Bezerra, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR), reforçou que os assalariados rurais estão mobilizados pelo fim da escala 6x1."O agro cresce, as exportações crescem, mas a renda segue baixa, mesmo crescendo no governo Lula. Nossa categoria tinha horas viajadas, mas com a reforma trabalhista, deixaram de receber até 500 reais a menos. Por isso, estamos firmes nessa luta", afirmou.