Juventude brasileira pressiona e apoia fim da escala 6×1

Juventude brasileira pressiona e apoia fim da escala 6×1
Foto: MTE / GovBR

Geral 17/03/2026 Escrito por:

Duas pesquisas recentes mostram que o Brasil quer o fim da escala 6x1. Estudo do Datafolha mostrou que 71% dos entrevistados, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% acreditam que não deveria; 3% não opinaram. Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios, de 3 a 5 de março.

A juventude quer essa mudança, aponta o estudo da consultoria Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados: 82% dos trabalhadores jovens defendem o fim do regime em que se trabalha 6 dias e se folga apenas 1, sem redução de salário. A pesquisa ouviu 2.021 pessoas em todas as unidades da Federação, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. 

Essa tendência pressiona o Congresso Nacional, onde tramitam propostas — PEC 148/15, PEC 221/19 e PEC 8/25 — de reorganização da jornada. Elas são do senador Paulo Paim (PT-RS), do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSol-SP). Além do PL 67/2025, da deputada gaúcha Daiana Santos (PCdoB-RS).

A pesquisa  Nexus revela que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, sem redução salarial; 84% defendem que os trabalhadores tenham pelo menos 2 dias de descanso por semana. “Há uma adesão significativa da população à discussão sobre a redução da jornada. A opinião pública tem mostrado abertura para mudanças que ampliem o tempo de descanso e de convivência social”, afirmou o CEO da empresa, Marcelo Tokarski.

TRABALHO, SAÚDE E VIDA PESSOAL

O apoio é cresce entre os mais jovens, reunindo trabalhadores que ingressaram no mercado de trabalho em meio à expansão de empregos em setores de comércio, serviços e plataformas digitais. Entre pessoas de 16 a 24 anos, a aprovação chega a cerca de 76%, caindo gradualmente nas faixas etárias mais altas.

Segundo pesquisadores, a nova geração tende a valorizar mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, saúde mental e flexibilidade na organização da jornada. Esse movimento ocorre em setores como comércio, serviços e parte da indústria, que concentram grande parcela dos empregos formais no País.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL 

No Reino Unido, uma experiência realizada sobre semana de 4 dias reuniu 61 empresas e cerca de 2.900 trabalhadores, com salário integral. Cerca de 92% das empresas decidiram manter o modelo, após constatar que produtividade e desempenho se mantiveram ou até cresceram.

Os resultados mostraram ganhos relevantes para a saúde e para o ambiente de trabalho. Cerca de 71% dos trabalhadores relataram queda nos níveis de burnout, além de redução significativa de estresse, ansiedade e problemas de sono.

com informações do Diap