Entre a noite do dia 24 e a madrugada de 25 de janeiro de 1835, aconteceu o maior levante de pessoas escravizadas na história do Brasil: a Revolta dos Malês, nas ruas de Salvador. Há 191 anos, cerca de 600 escravizados africanos ecoaram o grito de resistência contra a escravidão.
Foram mais de três séculos de exploração e violência contra indígenas e africanos por parte das elites portuguesas e brasileiras. Durante todo o regime escravista aconteceram muitas lutas, com destaque para as comunidades quilombolas, como o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi.
Mais de 5 milhões de africanos foram escravizados e trazidos para o Brasil. Isso era quase metade do número de africanos escravizados em todo o mundo. E a Bahia era um dos principais destinos para essas pessoas, que trabalhavam nas monoculturas de tabaco e nos engenhos de açúcar do Recôncavo Baiano.
A situação de opressão produziu vários motins de escravizados. Diferente de outras rebeliões, a Revolta dos Malês se destacou pela forte presença de africanos muçulmanos, cuja fé e cultura contribuíram para a organização e determinação do movimento. A luta foi pelo fim da escravidão e pela liberdade religiosa.
LEGADO ATUAL
Esse episódio do Século 19 deixou um rico legado para outras lutas sociais que aconteceram posteriormente no Brasil. As greves de trabalhadores, lutas estudantis, contra o racismo e das mulheres, por exemplo, têm em sua essência os ensinamentos dos escravizados que lutaram por liberdade, igualdade e uma sociedade mais justa.
Para o secretário nacional de Combate ao Racismo da CTB, Jerônimo Silva Jr., o episódio desmonta uma narrativa historicamente construída para minimizar a luta dos povos negros no Brasil. “As constantes revoltas, ao longo do período escravista, demonstram que a resistência foi constante e organizada, desconstruindo a imagem de passividade dos escravizados”, afirmou.
